8 de jun de 2014

Vereadora de Boa Vista diz que projeto 'Parada Gay' vai proliferar doenças

Mirian Reis é contra projeto que inclui a Parada Gay no calendário oficial. 
Presidente do Grupo Diversidade registra Boletim de Ocorrência.

Vereadora Miriam Reis (Foto: Reprodução/TVRR)
Vereadora Mirian Reis acredita que projeto será
arquivado (Foto: Reprodução/TVRR)

Durante a sessão desta terça-feira (27) na Câmara de Boa Vista que discutiu a inclusão da Parada do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual no calendário oficial do município, a vereadora Mirian Reis (PHS), que é contra a aprovação da matéria, afirmou que o evento vai proliferar o homossexualismo e as doenças em Boa Vista.
O projeto que inclui a Parada Gay no calendário é de autoria do vereador Júlio Cezar (PRP) e já foi aprovado em primeira votação com dez votos a favor e dois contra. A sessão desta terça-feira seria para a segunda votação, mas não houve sessão por falta de quórum, porque apenas dez dos 21 vereadores compareceram à Casa.
"Eu acredito que o projeto vai ser arquivado, porque o nosso Deus vai nos dar autonomia, vai nos dar autoridade, capacidade e sabedoria para mostrar a eles que esse dia só vai fazer proliferar o homossexualismo na face da terra e em Boa Vista. Não é isso que nos queremos, porque o homossexualismo vai trazer doenças, infelicidade para as famílias, dores, tristeza, angústia", disse.
Os homossexuais necessitam de amor, carinho e precisam retornar à ordem natural da família"
Vereadora Mirian Reis (PHS)
Ainda segundo Mirian, os homossexuais necessitam de amor, carinho e precisam retornar à ordem natural da família. "Nós jamais poderemos aceitar filhos sendo criados por dois homens ou por duas mulheres. Isso é contra a palavra de Deus", completou Mirian que entregou um abaixo-assinado com mais de 600 assinaturas à Câmara. O documento pede por uma audiência pública para a discussão da matéria.
Para o presidente da Associação Roraimense pela Diversidade Sexual, Sebastião Diniz, as afirmações da vereadora são ofensivas e incitam a violência contra os homossexuais.
"Registrei um Boletim de Ocorrência contra a Mirian Reis e mais dois vereadores que nos ofenderam durante a sessão. Também procurarei a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Roraima, porque eu acredito que esses políticos não estão defendendo os interesses do povo, mas apenas os ideais dos evangélicos", alegou.
Projeto
De acordo com o vereador Júlio Cézar, a inclusão da data no calendário é um movimento social que merece a consideração da sociedade. "Esse projeto nada mais é do que passar a Parada que já existe desde 2003 para o calendário do município. Já me perguntaram se vai ter dinheiro público para o evento, mas isso não existe. É só questão de reconhecimento de que existe uma classe de pessoas que faz brilhar essa sociedade. É um movimento social", acrescentou o vereador.
O projeto deverá entrar novamente em segunda votação nesta quarta-feira (28). Se aprovado, será encaminhado ao Executivo Municipal, que poderá sancionar ou vetar a proposta.

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Matéria realizada em: 27/05/2014 14h14- Atualizado em 27/05/2014 14h41

Casal transgênero engravida e dá à luz um menino nos EUA


Quando o pequeno Dante tiver crescido o suficiente, seus pais sentarão com ele para explicar que "Mamãe não podia ter filhos, então o papai fez isso por ela".
A explicação para isso se deve ao fato deste lindo bebê de 22 meses de idade ter nascido em uma das mais incríveis famílias do mundo. Sua mãe, Emily, de 28 anos, nasceu menino. E seu pai, Cai, de 24, nasceu menina.

Os médicos duvidavam que tal façanha pudesse acontecer, e até mesmo Emily pensava assim, por achar que era estéril.
- Nós não planejamos ter um bebê assim - disse Emily. - Nós estávamos, na verdade, pensando em adotar, já que, até onde sabíamos, ter nosso próprio bebê seria impossível separadamente, menos ainda juntos. Como isso foi acontecer é um mistério, mas estamos agradecidos por esse milagre. Acredito que quando duas pessoas se amam muito, então coisas especiais podem acontecer.
Foi uma história de amor à primeira vista. Nem haviam se submetido, ainda, às cirurgias de troca de sexo, mas já viviam como o gênero oposto, compreendendo verdadeiramente um ao outro.
- Ser transgênero é um sofrimento, e não algo que você vive como uma fantasia. Então, conheci Cai e foi fantástico. Eu achava que essas coisas só acontecessem em contos de fadas - contou Emily, que está aguardando para fazer a cirurgia que irá remover seus órgãos masculinos.
O casal já não utilizava mais proteção para o ato sexual, mas acreditavam que não haveria risco de gravidez, porque Cai tomava doses altas de hormônio masculino, além de injeções para controle de natalidade. "Então, eu estava com sete meses de gravidez e não sabia. Não sentia o bebê se mexer dentro de mim", disse Cai.
- Eu estava resignada com a ideia de que nunca seria capaz de ter um filho biológico - disse Emily. Ela, que nasceu como menino, chamado Scott, fez poucos meses antes do nascimento a cirurgia para troca de sexo. - Nós adoramos nosso filho. Ele trouxe muita alegria para nós. Ele é perfeitamente saudável de todas as maneiras.
O casal, que vive numa área rural da Pensilvânioa, EUA, agora virou sensação na TV. Eles garantem que Dante vai crescer sem segredos. "Vamos explicar a situação, que não houve nada de errado nem que ele é diferente. Nós vamos dizer que mamãe não podia ter filhos, então papai fez isso por ela".
Fonte: Site Jornal Extra / Site The Mirror (Base Digital)

21 de mai de 2014

Superando preconceito, pastor evangélico é também drag queen

Ele defende releitura do livro sagrado e prega a liberdade como ‘o maior presente de Cristo

O líder pastoral Marcos Lord vestido como drag queen: Luandha Perón, para os íntimos Foto: Gustavo Miranda / Agência O GloboRIO — Numa hora, ele pega a Bíblia na cabeceira para fazer uma pregação. Na outra, pega os cílios postiços para a próxima parada gay. Apesar de soarem antagônicas, as opções fazem parte do cotidiano do líder pastoral Marcos Lord — ou drag queen Luandha Perón, para os íntimos. Professor da rede pública há sete anos, em Duque de Caxias, Marcos é um carioca de sorriso largo, que demonstra sua crença religiosa com uma devoção para fiel fervoroso nenhum botar defeito. Evangélico de berço, ele diz ter sofrido quando se revelou homossexual, há dez anos, aos 26. A saída para não abandonar a fé foi entrar na Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM). O ramo evangélico é conhecido por ter a maior parte dos fiéis integrantes da comunidade LGBT, o cenário propício para o nascimento, em 2011, de Luandha — “uma subversão, uma exaltação do feminino”, como define o pastor.
— Quando o Marcos está no trabalho, Luandha fica guardadinha ali no lugarzinho dela, como um gênio na garrafa — afirma o professor do 3º ano do ensino fundamental, que diz que os alunos não sabem da existência da personagem.
A transformação leva 30 minutos. Usando o próprio altar da igreja como mesa de maquiagem, Marcos pinta o rosto, sobe no salto alto e põe uma peruca de cabelos castanho-escuro com mechas californianas.
Perguntado sobre como é feita a pregação de um gay num ambiente com preceitos evangélicos, que levantam a bandeira contra a homossexualidade, o líder pastoral, sem tirar os olhos da Bíblia, defende de forma categórica uma releitura do livro, seu “manual de fé”. A ICM é considerada uma igreja inclusiva, o que, segundo Marcos, é uma expressão redundante — já que, para ele, todas as igrejas deveriam ser inclusivas. O pastor prega a liberdade como “o maior presente de Cristo” e acredita que “o essencial é o amor e a mensagem que a palavra de Deus transmite”. Para ele, a questão está no que ainda pode ser considerado sacrilégio ou não a partir das antigas escrituras.
— Se você for ler a Bíblia ao pé da letra, terá muitos problemas. Ela fala sobre escravidão, que você tem direito a ter um irmão escravo seu por sete anos. Ela diz que você não tem direito de comer carne de porco. Mas quem vai abrir mão de comer o seu presunto e o seu pernil? Se nós mantivéssemos a mesma visão que sempre tivemos da religião evangélica, a mulher estaria até hoje calada — argumenta, seguro. — Eu não posso simplesmente pegar a Carta aos Romanos e lê-la como se ela tivesse sido escrita para os brasileiros do século XXI. A Carta aos Romanos foi escrita para os cristãos de Roma, daquele período histórico, do primeiro século. Então eu não posso achar que ela é válida para hoje. Mas eu posso tentar pegar alguns ensinamentos que estão ali e achar novos significados para os dias de hoje? Posso. Assim como pego os ensinamentos da minha avó e tento trazer para minha vida até hoje. Mas isso não quer dizer que eu não vá pedir manga com leite numa lanchonete porque ela disse uma vez, lá atrás, que faz mal.
Foi nos idos de 1968, nos Estados Unidos, que surgiu a Metropolitan Community Church, liderada pelo pastor Troy Perry, que se revelou homossexual. O estudo da Bíblia feito a partir de um novo viés, com enfoque nos contextos histórico e social, ocorreu de forma concomitante com perseguições e ameaças à igreja, que cresceu desde então. Perguntado se é reconhecida internacionalmente, Marcos diz que ela é chamada de “a igreja dos direitos humanos” e que sua líder mundial, Nancy Wilson, faz parte de um grupo de aconselhamento, com representantes de organizações sem fins lucrativos, religiosas e laicas, que assessora o presidente Barack Obama.
No Brasil, a comunidade existe há cerca de dez anos, segundo o pastor. Há unidades em Fortaleza, Maceió, Teresina, Cuiabá, Maringá (Paraná), Caxias do Sul (Rio Grande do Sul), Belo Horizonte, Vitória, São Paulo e Mariporã (São Paulo). No Rio, há unidades em São João de Meriti e a comunidade Betel, em Irajá, onde Marcos é o líder pastoral. Na unidade, os cultos ocorrem numa pequena sala, onde podem ser vistos banners com dizeres como “O Senhor é meu pastor, e Ele sabe que eu sou gay”. Apesar de ser uma comunidade mundial, a ICM não é ligada a nenhuma convenção nacional de igrejas evangélicas.
A aflita descoberta da homossexualidade
Para quem desde que se entende por gente ouviu que ser gay era pecado e tinha “espíritos malignos”, a descoberta do gosto por uma pessoa do mesmo sexo pareceu um martírio. Marcos disse que teve receio do preconceito e da reação da família — que, inicialmente, foi negativa — e que fez penitências contra si próprio, em prol de sua “libertação”. Numa delas, levantou-se de madrugada durante sete dias. Foi na época em que morava com o irmão, pastor de uma igreja evangélica, em Barra Mansa, no Sul Fluminense.
— Eu me lembro claramente de uma noite. Estava passando por aquele momento de crise existencial e de madrugada fazia poças de lágrimas, ajoelhado no chão, pedindo a Deus que me libertasse. No fim da sétima noite, eu percebi que não ia adiantar, que Deus não tinha que me libertar, que não havia do que ser libertado. E a crise foi tentar encontrar lugar na minha fé para a minha sexualidade, entender que eu poderia ser gay e ser cristão — diz Marcos, que conheceu a ICM por meio de um amigo. — No começo, eu tive muita resistência. Eu não queria uma igreja para gays. Eu queria uma igreja. Eu imaginava que ia ter uma drag queen dublando a Fernanda Brum e a Cassiane, e que na hora da pregação o pastor ia transformar todos os personagens da Bíblia em homossexuais. Mas fui, e eles estavam estudando a Bíblia, como eu estudava nas igrejas de onde vim. Percebi que era uma igreja como qualquer outra. Só que me aceitava como eu sou.
Luandha Perón, segundo Marcos, aparece em eventos — paradas gay e festas da igreja — como forma de militância. O nome tem justificativa: é uma homenagem à África e à paixão pelo Museu Evita, em Buenos Aires, que conheceu em sua primeira viagem internacional, feita há três anos. Já a ideia de virar drag queen teve inspiração política: uma apresentação de integrantes da ICM de São Paulo. Durante a parada gay, fiéis da igreja paulista foram às ruas vestidos de noivas, para criticar o governo brasileiro, que se coloca contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
— Quando você vai para a balada, vira um personagem Não é a mesma pessoa que vai trabalhar de segunda a sexta. E, no meu caso, a drag queen é um personagem político, exaltando a mulher. As pessoas não gostam só porque é gay, e sim também porque é pintosa. As pessoas gostam de falar “Ai, não basta ser gay, ainda tem que dar pinta?” Por que não se pode dar pinta? Por que ser feminino é tão ruim? — pergunta Marcos, já sendo maquiado para se transformar em Luandha. — Quando começa esse processo de maquiagem, o Lord vai para trás das cortinas, e a Luandha vai surgindo. Ela vai começando a criar corpo, forma, a personalidade de Luandha vai surgindo. Ela é diferente de mim. Ela é mais ousada. Eu sou um pouco mais contido. O grande problema de o Lord virar Luandha é a sobrancelha e o chuchu (a barba).
Para Marcos, a inclusão que acontece na ICM é algo radical, já que deve ser aceito tudo aquilo que pode até chocá-lo:
— Imagina uma drag queen no culto? Imagina a primeira vez que a Luandha for pregar? Mas tudo causa. Na primeira vez que uma mulher botou uma calça, as pessoas ficaram assombradas. Como ela tinha a ousadia de fazer aquilo? Então o processo é esse. No começo choca, causa estranhamento, mas as pessoas vão se acostumando. E se ninguém causar esse primeiro impacto, esse primeiro choque, nunca vai passar disso, sempre vai ser um choque.
Maquiador de Luandha, o professor de história Léo Rossetti — também drag queen e membro da ICM Betel — defende que as pessoas usem a maquiagem como forma de transitar entre gêneros e ser o que quiser. Ele afirma que Deus não está preocupado com os corpos e não se define nem como macho, nem como fêmea:
— Se falo que Deus é homem, eu o estou fechando, tornando-o menor. Ele é tudo. Deus está preocupado com outras coisas, com o coração e com a justiça, por exemplo.
Jesus na Lapa
Baseado no slogan da ICM de igreja inclusiva, o pastor Marcos afirma que Jesus Cristo era um ser extremamente inclusivo, que chamava para perto de si os excluídos da sociedade, como cegos e mulheres. E aposta que, se Cristo nascesse nos tempos atuais, isso aconteceria na Lapa, bairro boêmio carioca:
— A gente aqui costuma dizer isso e que ele seria amigo das travestis, dos transexuais, dos malandros da Lapa. Jesus sempre andou com quem estava à margem da sociedade. Nós procuramos fazer isso também, apesar de não ser fácil esse trabalho diário. É chamar quem acha que não tem lugar junto às pessoas.
Segundo Marcos, apesar de os princípios da ICM se chocarem com os de outras igrejas, existe diálogo entre elas.
— Todo ano participamos da caminhada pela liberdade religiosa, contra a intolerância. Falamos com muita tranquilidade com a igreja episcopal anglicana, e temos contato próximo com a igreja presbiteriana da Praia de Botafogo. Mas há uma verdadeira ojeriza por parte das igrejas neopentecostais, principalmente. A gente vê pastores aí que, se pudessem, botavam o porrete na mão do povo para bater, porque eles não batem. Eles não são homofóbicos — ironiza o pastor.
Sobre relacionamentos amorosos, Marcos diz não se sentir à vontade para se envolver com “alguma ovelha” da comunidade, que conta, por exemplo, com mais duas drag queens. Livre e desimpedido, como se intitula atualmente, ele afirma que pensa em ter uma filha, que se chamaria Maria Eduarda. Segundo Marcos, que já foi noivo de uma mulher, se até os 40 anos não achar um companheiro com quem construir uma família, dará entrada mesmo assim no processo de adoção.

Matéria Publicada dia: 18/05/2014
Fonte: www.oglobo.globo.com (em base digital)

4 de mar de 2014

Homossexualidade e religião


O relacionamento entre a homossexualidade e a religião varia de maneira enorme durante tempos e lugares. Nem todas as religiões reprovam explicitamente a homossexualidade; algumas meramente omitem considerações a respeito. Ao longo da história, o amor e o sexo entre homossexuais (especialmente homens) eram tolerados e também instituídos em rituais religiosos da Babilônia e Canaã, além de serem enaltecidos na religião da Grécia antiga; historiadores confirmam que há indícios de que os exércitos de Tebas e de Esparta possuíam unidades formadas por pares de amantes homossexuais, que às vezes oficiavam sacrifícios a Eros, deus do amor, antes de se engajarem em combate. Além disso, a mitologia grega é rica fonte de histórias de amor e sexo entre figuras do mesmo sexo.

Os antigos judeus, no entanto, perseguiam homossexuais e com a expansão do cristianismo, continuaram outras perseguições a práticas homossexuais. Quando o cristianismo se oficializou no Império Romano com a ascensão de Constantino, historiadores escrevem que a homossexualidade era uma ameaça institucional; uma das razões dessas perseguições antigas seria o da condição de sobrevivência e expansão por meio da defesa da procriação através da família. A posição oficial da Igreja quanto a homossexualidade racionalizou-se com os escritos de Santo Agostinho, para quem os órgãos reprodutivos tinham a finalidade natural de procriação e em nenhuma hipótese poderiam ser usadas para outra forma de prazer, sendo a homossexualidade, segundo ele, uma perversão da mesma categoria que seria a masturbação, o coito anal, o coito oral e a zoofilia. A homossexualidade continua a ser reprovada pela maior parte das tradições cristãs pelo mundo. Na era do colonialismo e imperialismo, praticado geralmente por países de fé abraâmica, algumas culturas adotaram atitudes antagonistas quanto à homossexualidade. Atualmente, grupos e doutrinas de religiões abraâmicas geralmente veem a homossexualidade negativamente; alguns desencorajam a prática, enquanto outros explicitamente a proíbem. É ensinado que a homossexualidade é pecaminosa, enquanto outros dizem que qualquer ato sexual por si só é pecaminoso. Apesar de tudo, há algumas pessoas dentro desses grupos religiosos que veem a homossexualidade de maneira mais positiva — há até quem pratique cerimônias religiosas de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Alguns grupos afirmam que a homossexualidade pode ser "superada" através da fé. Há vários "centros de cura" espalhados pelo mundo, de onde saem os "ex-gays". No entanto, nenhum estudo científico comprova esta prática e ela é desencorajada pela maioria dos médicos.

Fonte: Wikipédia

“Cura” de homossexuais: deixemos o assunto para os psicólogos


Pois, então, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara quer decidir se, afinal de contas, psicólogos podem ou não fazer tratamento para a cura de homossexuais.
Sim, porque no fundo é isso mesmo. Teve gente que disse que não é esse o ponto do projeto de João Campos, que chega à comissão presidida por Marco Feliciano. Mas, vejamos quais são os dois trechos da resolução do Conselho Federal de Psicologia que seriam derrubados:
Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.
Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.
É bastante claro: o psicólogo, por essa resolução, não pode tratar a homossexualidade como doença, adotar “ação coercitiva” que oriente a tratamento “não solicitado”, nem participarão de ações que a divulguem que a homossexualidade é uma doença.
Simples assim: a comunidade científica (no caso, os psicólogos) chegou à conclusão de que algo (a homossexualidade) não é uma doença, e portanto proíbe que seja tratado como tal. Ponto.
A discussão toda começa, de fato, com o que seja a homossexualidade: é uma característica inerente da pessoa ou um comportamento? Há muita gente que defende que é algo que a pessoa simplesmente é, sem escolher. Faz parte dela, assim como outras pessoas simplesmente são heterossexuais, sem jamais terem decidido isso.
Em qualquer caso, obviamente não é uma doença. Não é algo que cause mal a ninguém: nem ao homossexual nem a qualquer outra pessoa. Não porque ser “tratado”, portanto.
A confusão, unicamente, surge em função de um ponto de vista moral que, aliás, é de muitos brasileiros. Há quem considere a homossexualidade como algo moralmente condenável.
Não consigo concordar nem de longe com essa visão: o homossexual, não custa repetir, não está fazendo mal a absolutamente ninguém, assim como o heterossexual não está fazendo mal a ninguém em razão de sua orientação sexual.
É o tipo do ponto que demorará outras décadas para que haja qualquer consenso ou possibilidade de concordância. Mas o ponto, em política, pelo menos, não é nem esse.
Como mostra a bela matéria de Chico Marés na Gazeta deste domingo, há uma corrente importante, representada na reportagem pela professora Vera Karam, da UFPR, que defende que as opiniões religiosas não são apropriadas para a discussão política.
É claro que religiosos podem participar da discussão, mas os argumentos têm de ser políticos, não religiosos. Ou seja: para os liberais, não há como “legislar sobre moral”.
E, sem a ideia de que a homossexualidade é “moralmente errada”, não sobra muito para os defensores do projeto de João Campos discutirem. Ficarão perorando, mas não terão força.
O que será muito bom: deixe-se que os psicólogos, afinal, decidam o que é assunto de psicólogos.

Matéria publicada em: 06/05/2013
Por: http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/caixa-zero/cura-de-homossexuais-deixemos-o-assunto-para-os-psicologos/

25 de nov de 2013

A homofobia no ambiente de trabalho

A evolução jurídica e cultural conquistada nas últimas décadas, não foi o suficiente para garantir às pessoas LGBT  uma cidadania plena livre de preconceitos e discriminações. No ambiente corporativo isso não é diferente, e, em muitos casos, grandes talentos e potenciais produtivos são desperdiçados por conta do preconceito que infelizmente também se projeta na relação de trabalho.
A violência moral e psicológica comumente sofrida por essa parcela da população no ambiente de trabalho é tema que precisa ser tratado no sentido de buscar esclarecimentos que estimulem os gestores das empresas e organizações a desenvolverem ações isentas de preconceito. É preciso implementar políticas que determinem práticas que mais harmonizem os conflitos referentes à diversidade sexual contextualizada no ambiente corporativo. A informação é um caminho importante para que a sociedade como um todo se torne mais justa e livre de preconceitos para o acesso pleno dos LGBT no ambiente de trabalho, possibilitando, assim, sua autonomia no exercício de suas características, preferências e necessidades que lhes são próprias.
O modelo de gestão que não combate o processo de exclusão e de constrangimento dessa parcela da população, não atende parte da função social a ser desempenhada pelas empresas, tornando-as coniventes com as práticas homofóbicas de qualquer de seus trabalhadores. Isso ocorre em razão da alteridade, a que o empregado agressor, seja ele gestor ou não, age em nome da organização ou da empresa que integra. Os atos discriminatórios cometidos no ambiente de trabalho são de responsabilidade das empresas, conforme prescreve a Lei n. 9.029 de 13 de abril de 1995, que determina punições a todas as formas de discriminação no trabalho.
A gestão da diversidade sexual é questão de extrema relevância, inclusive para fazer com que as maiorias harmonizem-se com as minorias no ambiente corporativo. Em razão do preconceito, decorrente do desconhecimento, um indivíduo homofóbico não se sente a vontade tendo um colega homossexual, muitas vezes pelo "medo" de ser assediado e também pela necessidade de auto-afirmação da sua sexualidade, conforme menciona Hélio Arthur Irigaray em sua tese de doutorado a respeito do assunto. Como forma de combate ao preconceito e a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero no ambiente corporativo, pretendo divulgar aqui políticas bem sucedidas de gestão da diversidade e alguns casos de condenação por assédio moral homofóbico decididos pela justiça e que mexeram no bolso das empresas agressoras que não souberam ou não adotaram nenhuma ação para conter os abusos praticados por seus funcionários.
A prática da discriminação poderá ter repercussão de natureza civil, por meio de reparação do dano moral sofrido pela vítima, geralmente arbitrado judicialmente em reclamação trabalhista proposta pelo ofendido. Além do mais, em processo administrativo a cargo do Ministério do Trabalho, o empregador poderá ser apenado com multa administrativa de dez vezes o maior salário por ele pago, elevado de 50% em caso de reincidência, bem como a proibição de obtenção de empréstimos com instituições financeiras oficiais.
Considerando que a hostilidade provocada por essas ações podem inviabilizar a continuidade do contrato de trabalho, o trabalhador poderá obter, ainda, a rescisão indireta, ou seja, obter o reconhecimento da inviabilidade de continuidade da relação de trabalho por causa imputável ao empregador, sempre em todas as ocasiões com o ressarcimento das remunerações durante o período do afastamento, que poderá ser em dobro nos casos que a readmissão do trabalhador não for possível conforme o grau do dano sofrido pela vítima.

Matéria feita por: Frederico Oliveira
Realizada em: 14 de fevereiro de 2013

Homofobia na escola Dia mundial contra a homofobia

Homofobia na escola Dia mundial contra a homofobia

Na História da Humanidade toda construção ideológica, para ser destruída, necessita de outra força ideológica de combate.  Geralmente tal combate se faz por um processo de perdas de costumes e o reciclar de valores sociais. Logicamente isso gera conflitos.
Nossa cultura teceu ideais massacrantes da sexualidade, e hoje, diante da necessidade de reavaliação desses paradigmas é natural encontrarmos resistências de caráter ideológico. Porém não podemos aceitar tudo com a simples justificativa de que isso é uma verdade absoluta fruto da tradição cultural e que simplesmente deve-se engolir.
Como docente constantemente estou em contato com jovens e adolescentes, isso me certifica de que tenho relação com o retrato de uma sociedade futura e que tem sofrido o desconforto dessa aceitação do novo. Criticando a sociedade e percebendo o entusiasmo homofobico presente na escola estou certo de que não podemos silenciar e concordar com o cultivo cultural de pessoas criminosas, podemos e devemos fazer intervenção para que possamos crer em uma evolução moral-social.
Atualmente no Brasil inúmeras pessoas sofrem de homofobia social, tais violências em seu ultimo estado provocando a execução de inocentes. Contudo quero fazer a reflexão quanto a violência moral construída por brincadeiras sem graças de preconceitos muito comuns na rotina da escola e que perpetua essa tradição de homofobia. Considerando aqui que a sociedade é reflexo da escola e o contrário é equivalente.
O padrão machista/feminista presente nos termos e nos xingamentos dos estudantes é ignorado por muitos colegas na educação, alguém já escutou o habito comum entre as crianças e adolescentes de tentarem ofender uns aos outros com o adjetivo chulo: “viado”? Essas tais brincadeiras na prática tem produzido pessoas depressivas e infelizes.
Já presenciei até mesmo colegas professores se referirem a estudantes partindo de estereótipos: “aquela bichinha” ou “aquela sapatão”. Não vou entrar no mérito ético, entretanto confirmando disso como um sinalizador da gravidade do preconceito sexual presente no convívio de estudantes e professores no ambiente educacional eu acredito que é preciso reavaliar posturas e recordar o futuro de uma tolerância social que idealizamos.
Certa vez tive que intrometer com medita educativa quando encontrei na sala de aula um aluno sendo agredido verbalmente pelo simples fado de seus gostos musicais qualificarem o que foi predeterminado como “música de meninas.” Não me sai da mente o choro frágil e sofrido daquele que era o mais aplicado nos estudos e um alvo frágil de um machismo ridículo que usa o outro para se auto afirmar no seu meio.
Se não queremos uma sociedade preconceituosa e doente psicologicamente nós devemos analisar a escola como o local ideal para debatermos o assunto. Temos anunciado o processo lento e necessário da liberdade sexual, o bullyng também tem sido pauta constante nos debates educacionais, trabalhar o combate a homofobia é unir essas duas realidades. Já não é possível mais tratar a descoberta sexual como proibição e repressão.
Abordar a homofobia na escola não é questão de oposição aos valores religiosos, é antes de tudo, uma reflexão de saúde, direitos humanos e realismo. A pessoa precisa compreender desde a sua formação escolar que é preciso aprender a ter tolerância com as diferenças, não importando a cor da sua pele, sua condição econômica, sua sexualidade, se homem ou mulher, crente ou ateu...
Todo assunto trabalhado na escola não poderá ser pautando em uma imposição de verdades, por isso tratarmos a homofobia na escola é colocar o assunto na mesa para uma compreensão cientifica social com o objetivo maior de criar pessoas críticas e que por mais que pensem diferentes podem se respeitar e conviver bem.
Se na escola devemos criar homens e mulheres críticos, prontos para bons hábitos no mercado de trabalho e na vida, é hipocrisia correr da necessidade de debater a homofobia como um problema social.  Ainda é urgente que cada um dos profissionais da educação se comprometa em extinguir essa ideologia que tem truncado o psicológico de muitos e tomado contornos dramáticos.
Nesse 17 de maio, onde celebramos mundialmente o Dia Contra a Homofobia, vamos propor o atormentar claro e transparente da tolerância entre as diferenças. Pensar e ser diferente faz a riqueza da nossa cultura mista e bela. Não saber conviver com a diferença suscita uma sociedade decadente e desumanizada. Se você tem esperança de uma sociedade melhor: No território escolar vamos nos comprometer com isso imediatamente, sabendo que o social lucrará muito com isso.
Ítalo A. L. Silva, trabalha atualmente na Sectec, lotado na educação profissional com a Integração Escola-Empresa do Centro de Profissional de Anápolis - Cepa, onde também é editor e redator do Informativo Digital Cepa, coordenador de tutoria da Rede e-Tec Brasil / MEC, ocupa a cadeira de professor de filosofia e sociologia no EBEP do Sesi-Senai.

Matéria de:
Ítalo A. L. Silva
Diário da Manhã
Realizada em:16/05/2013