17/11/2012

Homofobia



Homofobia é o termo utilizado para designar uma espécie de medo irracional diante da homossexualidade ou da pessoa homossexual, colocando este em posição de inferioridade e utilizando-se, muitas vezes, para isso, de violência física e/ou verbal.

 
 A palavra homofobia significa a repulsa ou o preconceito contra a homossexualidade e/ou o homossexual. Esse termo teria sido utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos em meados dos anos 70 e, a partir dos anos 90, teria sido difundido ao redor do mundo.  A palavra fobia denomina uma espécie de “medo irracional”, e o fato de ter sido empregada nesse sentido é motivo de discussão ainda entre alguns teóricos com relação ao emprego do termo. Assim, entende-se que não se deve resumir o conceito a esse significado.
Podemos entender a homofobia, assim como as outras formas de preconceito, como uma atitude de colocar a outra pessoa, no caso, o homossexual, na condição de inferioridade, de anormalidade, baseada no domínio da lógica heteronormativa, ou seja, da heterossexualidade como padrão, norma. A homofobia é a expressão do que podemos chamar de hierarquização das sexualidades. Todavia, deve-se compreender a legitimidade da forma homossexual de expressão da sexualidade humana.
No decorrer da história, inúmeras denominações foram usadas para identificar a homossexualidade, refletindo o caráter preconceituoso das sociedades que cunharam determinados termos, como: pecado mortal, perversão sexual, aberração.
Outro componente da homofobia é a projeção. Para a psicologia, a projeção é um mecanismo de defesa dos seres humanos, que coloca tudo aquilo que ameaça o ser humano como sendo algo externo a ele. Assim, o mal é sempre algo que está fora do sujeito e ainda, diferente daqueles com os quais se identifica. Por exemplo, por muitos anos, acreditou-se que a AIDS era uma doença que contaminava exclusivamente homossexuais. Dessa forma, o “aidético” era aquele que tinha relações homossexuais. Assim, as pessoas podiam se sentir protegidas, uma vez que o mal da AIDS não chegaria até elas (heterossexuais). A questão da AIDS é pouco discutida, mantendo confusões como essa em vigor e sustentando ideias infundadas. Algumas pesquisas apontam ainda para o medo que o homofóbico tem de se sentir atraído por alguém do mesmo sexo. Nesse sentido, o desejo é projetado para fora e rejeitado, a partir de ações homofóbicas.
Assim, podemos entender a complexidade do fenômeno da homofobia que compreende desde as conhecidas “piadas” para ridicularizar até ações como violência e assassinato. A homofobia implica ainda numa visão patológica da homossexualidade, submetida a olhares clínicos, terapias e tentativas de “cura”.
A questão não se resume aos indivíduos homossexuais, ou seja, a homofobia compreende também questões da esfera pública, como a luta por direitos. Muitos comportamentos homofóbicos surgem justamente do medo da equivalência de direitos entre homo e heterossexuais, uma vez que isso significa, de certa maneira, o desaparecimento da hierarquia sexual estabelecida, como discutimos.
Podemos entender então que a homofobia compreende duas dimensões fundamentais: de um lado a questão afetiva, de uma rejeição ao homossexual; de outro, a dimensão cultural que destaca a questão cognitiva, onde o objeto do preconceito é a homossexualidade como fenômeno, e não o homossexual enquanto indivíduo.
Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a legalidade da união estável entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. A decisão retomou discussões acerca dos direitos da homossexualidade, além de colocar a questão da homofobia em pauta.
Apesar das conquistas no campo dos direitos, a homossexualidade ainda enfrenta preconceitos. O reconhecimento legal da união homoafetiva não foi capaz de acabar com a homofobia, nem protegeu inúmeros homossexuais de serem rechaçados, muitas vezes de forma violenta.

Fonte: http://www.brasilescola.com/psicologia/homofobia.htm

08/11/2012

Oliver A Festa


Oliver A Festa

Produzida pela Oliver 4 Assessoria e Produções, a Oliver A Festa faz sua estréia na noite LGBT no dia 1 de dezembro, sábado a partir das 23 hs. Embalada ao som dos badalados e renomados DJs Felipe Malfoy, Adriano Maia e Rodrigo Aquino, a festa terá seu ritmo no Pop e Housemusic.O agito sediará sua primeira edição no amplo Fest Meyer Espaço e Eventos, que fica na Rua Dias da Cruz 675, no Méier, próximo à Rua Fabio Luz. O espaço possui dois andares com lounge, varanda e pista. Os ingressos custam de R$ 20 a R$ 25. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones 9493-0999 e 9448-5400 ou no Facebook da festa. (perfil Oliver A festa).

13/10/2012

Supremo reconhece união homoafetivas

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgarem a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, reconheceram a união estável para casais do mesmo sexo. As ações foram ajuizadas na Corte, respectivamente, pela Procuradoria-Geral da República e pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
O julgamento começou na tarde de ontem (4), quando o relator das ações, ministro Ayres Britto, votou no sentido de dar interpretação conforme a Constituição Federal para excluir qualquer significado do artigo 1.723 do Código Civil que impeça o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.
O ministro Ayres Britto argumentou que o artigo 3º, inciso IV, da CF veda qualquer discriminação em virtude de sexo, raça, cor e que, nesse sentido, ninguém pode ser diminuído ou discriminado em função de sua preferência sexual. “O sexo das pessoas, salvo disposição contrária, não se presta para desigualação jurídica”, observou o ministro, para concluir que qualquer depreciação da união estável homoafetiva colide, portanto, com o inciso IV do artigo 3º da CF. 
Os ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Cezar Peluso, bem como as ministras Cármen Lúcia Antunes Rocha e Ellen Gracie, acompanharam o entendimento do ministro Ayres Britto, pela procedência das ações e com efeito vinculante, no sentido de dar interpretação conforme a Constituição Federal para excluir qualquer significado do artigo 1.723 do Código Civil que impeça o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.
Na sessão de quarta-feira, antes do relator, falaram os autores das duas ações – o procurador-geral da República e o governador do Estado do Rio de Janeiro, por meio de seu representante –, o advogado-geral da União e advogados de diversas entidades, admitidas como amici curiae (amigos da Corte).

Ações

A ADI 4277 foi protocolada na Corte inicialmente como ADPF 178. A ação buscou a declaração de reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Pediu, também, que os mesmos direitos e deveres dos companheiros nas uniões estáveis fossem estendidos aos companheiros nas uniões entre pessoas do mesmo sexo.
Já na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, o governo do Estado do Rio de Janeiro (RJ) alegou que o não reconhecimento da união homoafetiva contraria preceitos fundamentais como igualdade, liberdade (da qual decorre a autonomia da vontade) e o princípio da dignidade da pessoa humana, todos da Constituição Federal. Com esse argumento, pediu que o STF aplicasse o regime jurídico das uniões estáveis, previsto no artigo 1.723 do Código Civil, às uniões homoafetivas de funcionários públicos civis do Rio de Janeiro.

Matéria feita em: Quinta-feira, 05 de maio de 2011

Fonte: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=178931

09/10/2012

O poder de consumo do publico gay


O poder de consumo do público gay está em crescimento. Com esse mercado ascendente, mais empresas buscam investir no setor e contratam serviços especializados, como os da “Bureau de Negócios GLS”.
Desde 1998, a empresa é especializada em oferecer consultoria de mercado e treinamento para empresas privadas e órgãos do governo que tenham interesse no público GLS.
De acordo com informações do Bureau, o mercado gay é responsável pela movimentação de grandes quantias. Um levantamento feito pela Witeck-Combs, divulgado no site Gay Brasil, aponta que o mercado GLS norte-americano tinha o poder aquisitivo de US$ 660 bilhões em 2007 e chegará aos US$ 835 bilhões em 2011.
Segundo o site Gay Brasil, no Brasil, os consumidores gays são representados por 9,2 milhões de pessoas, isso quando se conta apenas os homossexuais economicamente ativos, que gastam cerca de 100 bilhões de dólares anuais, juntos.
Franco Reinaudo, presidente da Associação Brasileira de Turismo GLS (ABRAT GLS), afirma que o poder de consumo do público gay é resultado de uma série de características. “Um dos fatores principais é que os casais homossexuais não têm filhos, então, os gastos que teriam com fraldas e escolas são revertidos para cultura, lazer e turismo. Seria o mesmo perfil de um casal heterossexual sem filhos”, afirma Franco, que garante que os turistas gays gastam 30% a mais que os heterossexuais, facilitando o crescimento desse “poder de consumo”.
“Nos países desenvolvidos já é uma questão natural. Aqui no Brasil, a gente ainda tem gestões nas empresas palpadas com questões formais. O segmento representa mais de cem milhões de dólares de poder de compra. Complicado você imaginar que alguém não olhe esse segmento como negócio. É quase burrice”, se diverte Reinaudo.
O presidente da Associação conta também que o trabalho para investir no público gay ainda é tímido, mas muitas empresas têm realizado bons projetos. “É de dentro para fora, tem algumas empresas que dentro do ambiente de trabalho já têm políticas de inclusão dessa minoria sexual, como a IBM, Banco do Brasil, Microsoft e a própria Caixa Econômica Federal, que já investe em publicidade para o segmento, patrocinando a Parada Gay de São Paulo e desenvolvendo alguns produtos e serviços”, diz.
Apesar de pequeno, o trabalho já consegue gerar alguns resultados. O preconceito diminui aos poucos e as empresas percebem a importância de acreditar neste público.

Fonte - MBPRess

28/09/2012

Em livro, Occello Oliver narra a homossexualidade no Brasil e no mundo

                     
                    Carioca nascido, crescido e criado no Rio de Janeiro, como ele mesmo costuma falar, 39 anos sem medo de entrar nos “enta” e com uma disposição incrível para tocar, ao mesmo tempo, diversos projetos e assuntos das vidas social e profissional. Assim é Occello Oliver, o jornalista que acaba de lançar seu primeiro livro Fora do Armário. Com quase 15 anos de carreira em comunicação, Occello também é formado em Relações Públicas, possui uma empresa de comunicação e eventos, é produtor de festas LGBT e está prestes a voltar às salas de aula para o curso de mestrado em Comunicação Social.  Orgulha-se de ser um profissional que nasceu com vontade de mostrar que sabe desenvolver metas em seu trabalho e diga-se modestamente, muito bem. Nesta entrevista, ele conta sobre o lançamento de seu livro, cuja temática é o homossexual, e celebra a nova atividade: “não vou mais parar de escrever!”.

Occello Oliver lançando o livro Fora do Armário
Você acaba de lançar seu livro Fora do Armário, com temática dirigida ao público LGBT e que expressa a vida dos homossexuais. É difícil sair do armário e encarar a sociedade?

Ser homossexual no Brasil é quase questão de justiça. Temos elementos sociais que confundem a cabeça das pessoas e fazem com que elas pensem o pior sobre os gays. Existe uma imagem de perversão aos homossexuais, um repúdio e um ódio inexplicável. Eu pelo menos não consigo entender o por que disso. Temos uma tradição e cultura que culminam com ensinamentos diversos de conduta e moral, apesar de sermos um país que transborda cultura e diversidade política. Tudo começou num passado distante. E infelizmente não dá mais pra consertar nada. Nossa sociedade é estranha, tendo o lado A e o lado B. Os dois lados se comunicam à distância, o que torna difícil uma convivência em grupo. A era do CD Player, por exemplo, juntou dois lados de um disco de vinil em uma face de um minidisco ultra futurista, com qualidade impecável. Por que não podemos viver de forma impecável socialmente e aceitar grupos de pessoas como são?

Você acha que o homossexual vive menos ou mais reprimido atualmente?

O homossexual vive de forma cuidadosa. Estamos passando por uma fase complicada pois são inúmeros os casos de agressões sofridos pelos homossexuais. A homofobia está cada vez mais presente, não há lei que a combata e isso reprime qualquer homossexual.

Como jornalista, você vivenciou e experimentou situações que comprovam a desigualdade entre as pessoas?

Não precisamos ter uma determinada profissão para vivenciar indiferenças. Já presenciei ofensa e discriminação a negros, gordos, deficientes, judeus e claro, aos homossexuais.


Você acredita que a homofobia ainda está longe de se tornar crime? Crê em uma lei protetora dos homossexuais?

A homofobia sempre existirá, mesmo que haja a criação de uma lei que ampare os direitos de cidadãos dos homossexuais. Não sei por que a demora de se implantar isso. Vejamos que os negros, idosos, mulheres, crianças e adolescentes são assegurados em caso de agressões e maus tratos. O que falta para estabelecer o mesmo para os homossexuais? Boa vontade dos governantes ou falta de subsídios para se criar uma “delegacia rosa” exclusiva para atender gays desrespeitados?

Como surgiu a idéia de escrever “Fora do Armário”?

O projeto existe há muitos anos. Aproveitei trechos da monografia da faculdade de jornalismo, pesquisei muito sobre o tema, incluindo todos os assuntos relacionados aos homossexuais contidos no livro. Foram quase dois anos entre escritas, pesquisas, conversas com pessoas, contatos... Enfim, foi um trabalho extenso e intenso mas muito prazeroso de fazer. Não vi dificuldades pois como trata-se de um assunto que conheço e faço parte, não enxerguei obstáculos, pelo contrário. Vi muitas fontes informativas! Assunto não faltou!

Em um dos capítulos, você descreve sobre religião. Acha que a religião é contra ou a favor dos homossexuais?

Não. Nem contra nem a favor. As pessoas são espiritualizadas e cada uma tem sua fé e sua crença. Nosso país é místico, com muitas religiões, o que só confirma a teoria de que o brasileiro é um cara de fé! Cada um enxerga e sente suas necessidades religiosas de diversas maneiras. Eu carrego minha energia espiritual, você carrega a sua e Deus, que é o centro de tudo, faz parte de nossa jornada.

Seu livro é recheado de passagens históricas. Você conta sobre literatura brasileira, música, atualidades, badalações e outros temas atrativos aos homossexuais. O meio LGBT é carente de cultura?

Não. A cultura está ao alcance de todos. A todas as tribos, para todos os gostos e todos os estilos. A cultura é ampla, mista, heterogênea, suave e às vezes trash. Mas o nome já diz tudo: é cultura! Cultura é vida, é saber, é estar em diversos lugares e falar sobre tudo o que acontece.

A Blooks Livraria recebe o autor Occello Oliver para o lançamento do livro Fora do Armário
O público leitor de seu livro identifica-se com a diversidade?

Meu livro não é apenas para o público LGBT. É para todos! É um livro de pesquisas, em que acredito que há informações relevantes o bastante para auxiliar em informações e enriquecer a sabedoria de todos. Escrevi com o intuito de explicar e contar a todos sobre o que é ser homossexual e como a homossexualidade está contida no dia a dia deste país. Hoje é possível ver e conviver com homossexuais na ficção, por exemplo. É a arte imitando a vida! Quer testemunho maior que esse? No dia do lançamento, autografei o livro para pessoas de todas as idades, do pós adolescente ao idoso! Ou seja, á é uma grande evolução. A mensagem está no ar e é facilmente captada por todos!!

Pensa em seguir carreira como escritor?

Sim e claro! A experiência é maravilhosa, estou muito feliz com o lançamento. “Fora do Armário” é o primeiro de uma série que me pretendo elaborar. Posso adiantar que já estou nas pesquisas para o segundo. Só não posso dizer ainda o que é (risos). Não vou mais parar de escrever!


O que dizer para quem quer e já saiu do armário?

Não quero ensinar e não estou ensinando ninguém a sair do armário. Também não vou ensinar como se portar dali em diante. Isso é muito individual de cada um. Só posso dizer uma coisa: sigam os desejos de seus corações e sejam felizes. Não assustem e não faltem com o respeito a ninguém. E claro, nunca falte com o respeito a você mesmo!

Fotos lançamento: Rômulo Marques
Imagem capa: Metanoia Editora


23/09/2012

Sexo com pessoas do mesmo sexo

A nova geração vê as experiências eróticas como algo menos delimitado. Sem culpa, se entrega a relações com alguém do mesmo sexo, podendo depois voltar ao universo hétero.

Pode parecer moderninho demais, um comportamento de gueto, algo distante da nossa realidade. Nem tanto assim. Se você perguntar a amigos na faixa dos 20 aos 35 anos sobre relações eróticas entre iguais vai notar que homens e mulheres estão transitando mais livremente entre os sexos. Haverá quem diga que nunca manteve relação homossexual, mas já pensou em experimentar. Outros admitirão que trocaram carícias intensas com alguém do mesmo sexo sem que isso significasse uma mudança na condição sexual. Estamos falando de adultos que, sem culpa ou juízo de valores, se permitem fazer o teste e repetir a dose. São bissexuais? Não necessariamente, dizem os especialistas. A bissexualidade estaria ganhando novas faces? Essas e outras perguntas aguçam o debate e ajudam a entender que há uma tendência se consolidando. "Como hoje não é mais um bicho de sete cabeças se declarar homossexual, a sociedade está mais tolerante e as pessoas se permitem conhecer o desconhecido, o que é saudável.
A naturalidade é maior para falar no assunto e também na busca do par. A mulher se dispõe mais do que o homem à nova experiência. Faz isso sem alarde, porque não precisa se autoafirmar como os adolescentes que se engalfinham no shopping, garotos com garotos. Mas por que elas querem ter prazer em companhia feminina? Solidão? Há menos homens disponíveis? Eles estariam tão acuados, por questões sociais e emocionais, a ponto de ter a masculinidade balançada, e com pouco apetite? Nada disso. "Uma pessoa não deseja outra do mesmo sexo só por estar carente ou desiludida com o oposto. A descoberta surge com a oportunidade e advém da maturidade". A explicação para a investida nessa área está ligada, segundo ela, à queda do preconceito. Quando ele diminui ou sai da jogada, rompem-se barreiras internas. Tudo fica mais fácil; a aceitação é maior. Uma mulher que revela desejo a outra já não espera ser julgada, mesmo que não seja correspondida.
"Mulheres têm um histórico de companheirismo e carinho, o que contribui para que essas relações aconteçam". Amigas viajam juntas, divertem-se, trocam confidências, associam-se na compra de bens duráveis e às vezes dividem o namorado. No meio de tanta parceria, podem descobrir que se completam num patamar além do convencional. "É algo normal, sempre existiu. O que mudou foi a coragem da sociedade para encarar o tema e se arriscar". Quando existiam colégios internos só de meninos ou de meninas, era comum a iniciação com alguém do mesmo sexo. Depois, nunca mais tocavam no assunto, um motivo de vergonha. "Hoje, a experimentação ocorre mais tarde."
Nada é para sempre!
Outra marca dessa escolha contemporânea: ela pode se repetir, mas tende a não perdurar. De novo, a mulher se adapta melhor ao quesito, vai e volta à condição anterior de hétero, casa, tem filhos. Esses arranjos refletem mais um sintoma da nossa cultura: a fluidez. As fronteiras estão intercambiáveis; não há limites estanques no comportamento sexual. "Aquela história de ter só três possibilidades - ser hétero, gay ou bi - não dá mais conta da diversidade que vivemos". Nossa sexualidade é uma reta com vários pontos, cheia de nuanças a serem exploradas. "Tenho visto relações de vários tipos, incluindo casais de três pessoas, a necessidade de identificar e juntar pessoas em grupos é mais política do que prática. "Como ainda engatinhamos na luta por direitos e por políticas públicas, é bom ter grupos organizados e bandeiras visíveis. Um dia deixaremos esses rótulos de lado para nos declararmos simplesmente sexuais".
A ciência não explica exatamente de onde vem o desejo. "Há hipóteses de que, independentemente do objeto cobiçado, ele tenha raízes psicoemocionais ou genéticas". "O que sabemos é que há forte impacto cultural sobre ele. Às vezes desejamos o que aprendemos a admirar." Assim, não seria difícil explicar o envolvimento de duas mulheres ou de dois homens que se respeitam e valorizam as qualidades do par.

Bissexuais em potencial

Sigmund Freud acreditava que todos nascem potencialmente bissexuais. No livro Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, de 1905, ele escreve que homens e mulheres são moldados pela sociedade para gostar de uma ou outra coisa. O catolicismo teve um peso nisso, associando sexo ao pecado. Na Era Vitoriana, a relação entre iguais virou tabu. "Qualquer ato sexual que fugisse à finalidade de constituir família passou a ser visto como doentio". "A mudança radical veio nos anos 1970, e repercutiu antes na Europa". No Brasil, a flexibilização vem ocorrendo nos últimos 20 anos. A internet é apontada como um facilitador. "Um homem entra num chat, outro propõe sexo e ele, que nunca tinha pensado no assunto, começa a considerar". Há comunidades online e redes sociais para aproximar pessoas do mesmo sexo. O site homo Leskut anuncia em sua apresentação: "Indecisas ou curiosas são bem-vindas". O importante é saber que ninguém é obrigado a se submeter, sob pressão, à experiência.
"Dar liberdade a si não significa atropelar os próprios limites". Fazer o que não queremos traz resultados ruins. Antes, é necessário prestar atenção aos desejos e sentimentos. Não somos obrigadas a testar de tudo para sermos felizes".

16/09/2012

"Fora do Armário" renova cultura LGBT

Occello Oliver lança o livro "Fora do Armário"
Jornalista, Relações Públicas e editor do Oliver Blog Occello Oliver, lança seu primeiro livro, “Fora do Armário”, pela Metanoia Editora. Reunindo informações após minuciosas pesquisas que resultaram em uma ampla e curiosa estória sobre o universo homossexual no Brasil e no mundo, o livro aborda de forma sutil, leve e verdadeira, a rotina e o dia-a-dia dos homossexuais, em uma constante e visível atuação junto às suas diversificadas nações


“Fora do Armário” conta também sobre história, geografia, literatura, artes, música, teatro, cinema, televisão, mídia social, atualidades, família, pessoas e uma série de informações e conceitos que marcam a presença do homossexual como integrante de uma sociedade mista. O livro explica também o quanto o homossexual está presente em todos os canais de informação e comunicação, que o fez ser pleno e revigorante em mundo de constante globalização e transformação.


O lançamento/noite de autógrafos será no dia 26 de setembro, a partir de 19 hs, na Livraria Blooks, que fica no Espaço Itaú de Cinemas, na Praia de Botafogo 316.